METADE DE UMA OUTRA METADE
Autoria de Regilene Rodrigues Neves



Metade em mim é essa lágrima
Na outra metade que disfarça meu sorriso
Uma alegria inconstante
Que permuta meus anseios
Explora meu coração
Ingênuo de paixão
Escrevendo sentimentalidades
Para não perder a razão!...

Metade
Que o tempo medita,
Para que a outra reflita
Essa invasão de privacidade
Que me expõe
Me deixa nua
Rasgando a roupa íntima da minha alma
Sorvendo meus segredos
Prisioneiros dos meus desejos
Guardados nos mistérios
De um olhar de quimeras...

Enxergo tudo nu a minha volta
Numa metade entranhada na outra metade
Pondo afora minhas intimidades
Num momento interessante de sensibilidades
De um estado superiormente contraditório
Dessa metade que chora
Na outra metade que sorrir
Frente aos meus desenganos...

Como palhaço
Vestido de graça
Por cima de uma couraça
Protegida de sorrisos,
Mas que por dentro
É um estado sem graça
De um macabro sorriso...

Que vela a alma
De um exaspero de lágrimas
Desgovernadas numa alegria
Simplesmente exagerada
Da minha metade de tristezas...

Ilhada nessa metade obsoleta
Que perdura em guardados sentimentos
Feitos de arcaicos momentos de uma vã ternura
Que vive abraçada numa metade de fantasia
Na outra metade sem ilusão
Na metade da minha alma
Na outra metade do meu coração!...


Em 16 de maio de 2008

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