PÁGINAS EM BRANCO
por Regilene Rodrigues Neves

Mais uma página
Virada pro meu ontem
Aberta pro meu amanhã
Algumas verdades sem sentido
Alguns sentidos sem verdade
Perguntas sem respostas
Respostas sem perguntas...

No caminho a poesia
A poesia no caminho...

Enfrente o mundo
Sob o universo
O tempo soprando o destino
Sigo o vento ouço o silêncio...

Escrevi outro capítulo no meu livro
Terminei sem fim
Comecei ontem onde parei
Me confundi misturei alguns sentidos
Era uma poesia ou era um poema?
Acho que era minha vida
Alguns versos misturados noutra estrofe
Por fim estava me lendo...

Eu era poesia e nem sabia
Confundia a imagem que eu via
O meu corpo nunca vira minha alma
Eram gêmeas e nem se conhecia
Dentro de mim viviam fantasias
Que ele se quer sabia
Uma sombra me seguia...

Quantas páginas eu li sobre mim
Olhando para trás... Em branco
Outras por escrever...
O fim talvez fique em branco
Sem presente nem futuro
Meu passado já está escrito.

Decidi viver um dia de cada vez
Como uma página que viro
Deixando para ler amanhã a seguinte
Sou um livro aberto
Folheado por um leitor estranho
Uma história anônima
Cheia de poesia
Versos de alegria
Lidos por um olhar triste
Mera poesia escrita
Que persiste na minha alma
Meu corpo se quer sabe que sou poeta
Traços rudes face apática
Dentro de tanta sensibilidade
Quem lê não vê minha imagem...

Quem sou eu?
Desesperadamente procuro o fim da página...

Amanhã vou ler hoje
Meu presente e meu futuro
Quem sabe encontro o final
Dessa maluca história...

Em 26 de setembro de 2009



DESEJO DE AMAR
por Regilene Rodrigues Neves

Deito meu amor no teu colo
Entrego-te meu corpo
Para que tuas mãos me dêem caricias
Esquecidas do que é ser amada

Dentro dos teus olhos procuro
O amor que falta em mim
Quando somente a solidão ao meu lado
Explora minhas carências...

Amo-te um amor consumido em fantasias
Que nunca vivi, mas no meu corpo:
Elas te procuram a noite para me fazer dormir
Teu beijo nos meus lábios pede mais
Numa entrega da minha alma
Para que prove todo prazer que existe em mim

Seduz-me a ponto de febril sentir o meu corpo
A sensação da tua língua na minha pele
Queima e provoca êxtase
Gritos íntimos sussurram
Para que continue a me querer...

Quase nua rasga a peça que cobre tuas fantasias
Os meus seios em erupção roçam no teu peito
O desejo salta cheio de loucuras
Teus dedos me sugam marcando minha pele
Devoro-te num olhar de amor!

De carinho me enlaça
Num abraço entro no teu
Saciamos mútuas vontades
Amar-te passa a ser supremo
Ante a entrega que me fez mulher
De um amor jaz adormecido no meu corpo...

Em 22 de setembro de 2009

DENTRO DO TEMPO
por Regilene Rodrigues Neves

Ouço o barulho do tempo
Saudades debatendo
Entre o passado e o presente...
Na janela da alma
O amor debruçado no peito
Alguns sonhos andarilhos
Seguem acordados
Cheios de fantasias...

Mergulham nas ondas do mar
Navegam sem nenhum lugar
Querendo seguir o destino acolá...

Descalça meus pés fizeram marcas na areia
Parti a deriva do meu ócio
Para trás uma estrada enfrente um caminho...
Nua bati na porta da frente
Entrei sorrateira feito vento

Somente a solidão aleatória me convida a ficar
Promessas de ilusão pelos arredores
Vozes de sentimentos gritam aprisionadas
Entrei numa ilha entre a beleza do silêncio
E o sussurro do tempo
Ouço somente m’alma solitária a navegar...

Lado a lado o mar me cerca
Dou voltas e voltas no mesmo lugar
Tento não me afogar na desilusão
Só quis me abrigar numa quimera...

Imaginei me encontrar
Na longevidade da espera
Na quietude do meu sentimento
Esperei o mar se acalmar
Flutuei meu espírito
Guardei meu corpo no absoluto
Enfrentei as trevas
Até que a escuridão passasse
E sobrasse um resto de luz
Que me levasse nas sendas deste mar
Dentro do tempo quem sabe me encontrar...

Em 22 de setembro de 2009

RETALHOS DE SOL
por Regilene Rodrigues Neves

Retalhos de sol
Cirzem o amanhã de esperança
Ainda que um fio escape
Entre vãos de incertezas
Cortando os caminhos...

De ponta a ponta
Uma colcha colorida
Pedaços de tristezas
Emendados a grandes alegrias
A felicidade entre os dedos
Querendo cobrir o futuro...

Para que os dias frios
Sejam aquecidos das tempestades
Que expõe a alma ao relento...

Cheia de recortes a vida
Envolta em pedaços cerzidos de sol
Aquecem o infinito
Quase uma prosopopéia
Tecida em flâmulas
Para aquecer a alma
De um pedaço quente
De retalhos de sol!

Em 21 de setembro de 2009

O CAMINHO
por Regilene Rodrigues Neves

Onde houver caminho
Eu andarei sobre os trilhos do tempo
Entre o ontem o hoje e o amanhã...
Há de existir do outro lado
Uma estação onde possam partir e chegar
Aquele cuja alma embarcou seus sonhos...

Ela enxergará o horizonte
Que mesmo longínquo
Traz esperanças derruídas
Num momento de desilusão...

Na estrada finita
Desembarquei meus ideais
Construídos passo a passo
Até avistar o caminho enfrente...

Pedras soltas
Tropeços da alma
Cheia de sonhos de amor
Caem sobre pedaços de sentimentos
Partidos em frágeis fragmentos de incertezas...

Somente a poesia
Floresce dentro do peito
Lá fora a noite deita no infinito
Esperando a hora de acordar o amanhã...

O caminho segue
Encontra verões escaldantes
Invernos frios
E folhas caídas do outono,
Mas ainda restam primaveras
E flores nascendo entre as pedras...

O trem passa
Deixando para trás trilhos solitários
A solidão avista a lua
Suspiros de compaixão
Respiram a brisa da noite
Nuvens esfumaçadas
Sobre a campina alcança o firmamento...

Uma prece devota
Faz sua oração de fé para o universo
O caminho segue mais um dia que termina...

Em 04 de setembro de 2009


SAUDADE DE MÃE
por Regilene Rodrigues Neves

Sossega alma minha
Desse pranto de saudade
Que se desespera
Procurando tua presença
Pelos cantos onde deixastes
Tua alegria espalhada...

Teu cheiro ainda permanece
Nas roupas tuas guardadas
Onde te vi vestido tantas vezes
Indo e voltando sem saber
Que estava perto de partir...
Nelas posso senti-lo perto de mim
Num abraço teu
Que permanece nos meus braços
Procuro-te em cada momento
Que não sabia ser o último entre nós
Porque teria te falado mais do meu amor!

Um amor tão grande
Que cada dia é maior
Dentro desse amargurado peito
Tão cheio de saudade!...

Tento não viver dessa dor
Que persiste esconder minha alegria
Que tanto nos fizera sorrir
Num gesto fraterno de cumplicidade e afinidade!

Permanecem intactas minhas lembranças
Revivendo todos os dias uma rotina de amor
Que acorda sentindo tua ausência
Numa dor vazia que não preenche os meus dias
Pois te falta aqui perto de mim...

Os meses parecem querer te levar pra mais longe
Numa tentativa de não me fazer sofrer,
Mas o amor que te gerou dentro de mim
Eterniza os dias pra que não se esqueçam de ti!

É saudade de mãe
Que te procura todo dia
Ouve tua voz
Vê o teu sorriso no infinito...

O amanhã é um novo dia
Que me espera
Cheio de incertezas... Será?

Volto pra dentro da minha saudade
E nela te visto de anjo
Lá no céu vou te procurar
Até o dia de te ver voltar
Porque aqui é o teu lugar!

UM POEMA PRA TE CONFORTAR!

Em 04 de setembro de 2009

ENCONTRO DE AMOR
por Regilene Rodrigues Neves

No espelho
Reflexos do olhar da alma
Saudade póstuma de um amor
Espera deleite dentro do peito...

O perfume da estação se mistura
Ora em fragrâncias amenas e exóticas
Ora em essências adocicadas de ilusões...

Sua imagem cultiva flores no jardim
Alguns espinhos machucaram a pele
Frágil viu escorrer sentimentos
Manchando a sensibilidade de poesia...

O amor estancado com versos
Absorve o gosto da paixão
Explora estrofes de fantasias
Que sonha sua face lírica no coração!...

Românticos sonhos
Partiu da estação solidão
Escuta no infinito quimeras de amor
Pensamentos partiram foram te buscar
No tempo em algum lugar
Penso te encontrar...

No corpo de um poema
Sinto teu cheiro
Acaricio teu corpo
Minhas mãos seguram as tuas
Escrevem intimidades nossas na pele
Que arrepia ousada de fantasias...

Meu beijo nos teus lábios
Confessam toda espera
Minha língua tem sede de te amar
Bebe a tua até ficar embriagada
Numa tontura insana de prazer...

Em êxtase provoco a poesia
Sinto-te nos meus versos
Sussurro-te meus sentimentos
Para que ouça meu coração
Implorando teu amor!

Entregue me entranho na ode
Arranho tuas costas
Grita tua boca num gemido
Múltiplo de prazer
Entrelinhas dilatadas ao sabor
De um encontro de amor!...

Em 31 de agosto de 2009

RUAS DA ALMA
por Regilene Rodrigues Neves

Ruas da alma
Vontade de partir
No medo de ficar
Param na contramão
O caminho inverso
Segue sem olhar para trás...

A razão explora a emoção
O coração cheio derrama
Molha a calçada do tempo...

A saudade mudou para perto
Vive entrando e saindo do peito
O jeito é sentir essa lágrima
Que teima em rolar
De um olhar preso no passado...

Lembranças permanecem
Nas vielas transeuntes da alma
Cada passo passa pelas veias
Que levam a vida
Para a estrada que segue...

A liberdade corre
Na rota aleatória da felicidade
Enfrente ao presente
Passa o caminho para o futuro
Quem vai partir quem vai ficar
Um rastro faz marcas na passagem...

Me abraço num carinho contra a solidão
Arranha-céus olham solitários para o céu
Aqui a alma longínqua
Vaga na direção de um sonho...

Próxima uma quimera dorme comigo!

Na esquina do firmamento
Um pensamento solto
Absorve a imaginação...

Lobos devoram a face da periferia
Arredores tristes dos meus medos
Sepulcros de amores derruídos
Jazem por - morte dentro de mim
Poças vazias abertas
Num terreno baldio de ilusões...

Ideais perambulam sem destino
Quisera uma escolha infeliz
Acovardar o peregrino
Predador de sentimentos
Sem nenhum merecimento...

A lua ilumina a rua da alma
Que dorme sobre a esperança
E amanhece cercada de sol...
No parapeito da janela da poesia
O poeta grita para a ode que passa
Pelas ruas da alma...

Em 26 de agosto de 2009

UMA NOITE DE AMOR
por Regilene Rodrigues Neves

Acordei lendo um poema
Cheio de volúpia
Alguns desejos
Ainda no corpo da poesia
No céu beijos sugados
Roubados da boca
Que ousara sentir vontade
De se perder de amor...

Entre lençóis
Escorreu a poesia erótica
De uma noite ensandecida
Vencida entre quatro paredes...

Fantasias espalhadas pelo quarto
Enxergavam a sensualidade despida
Teus olhos devorando minha intimidade
Teus lábios ressequidos querendo provar
O sabor do meu corpo

Eu arranho tua pele
Assanho nossos instintos
Provo carícias na ponta dos teus dedos
Sinto frêmitos implorando por mais...

Até que a posse das tuas mãos
Cheias de sofreguidão me pegam no colo
Deslizam estrofes profanas sem nenhum pudor
Versos carnais molham de prazer
O meu íntimo...

Em êxtase a poesia declama
Seduz-me o poeta
Entregue a sua ode erótica
Explorada pela ânsia de amar
Até findar um poema
Cravado de luxuria
No lençol de seda branco
Cujo papel escrito sobre o leito
Lia nas letras de um poema
Uma noite de amor!

Em 24 de agosto de 2009

AO LADO DE UM POEMA
por Regilene Rodrigues Neves

Ao lado de um poema
O amor suspira versos
Lábios molhados de poesia
Mancham a pele dos sentimentos de vermelho
O coração cheio de rimas borbulha odes no peito
O jeito é amar cada estrofe de desejo
Dar sentido aos sentidos do corpo
Que bebe nas entrelinhas taças de fantasias
Ao sabor da alma que sacia sua fome de quimeras
Ouvindo odisséias de amor batendo nas ondas do infinito...

O grito das letras
Ganha asas imaginarias
Qual um poeta apaixonado se entrega
Amante insaciável beija a musa
Deitada em suas mãos...

O papel em branco dilatado
Absorve a emoção...

Cálida magia
Aquece o peito
Deitado um poema sonha...

A brisa da noite
Causa frisson de utopia
A pele arrepia
O silêncio sussurra
E um olhar de ternura
Enxerga uma poesia de amor!

O papel escorre sua tinta de sentimentalidades
Entre o preto e o branco do papel escrito
Rabiscos de entrelinhas ávidas
Perdidamente apaixonadas
Até que o êxtase derrame o gozo
Molhando as partes íntimas
De um poema de amor...

Embriagado o desejo dorme abraçado
Entre lençóis brancos de papel
Misturados de letras impressas do peito
Versos de amor sonham...

Em 17 de agosto de 2009

NAS ASAS DO SILÊNCIO
(Poema do leitor anônimo)
por Regilene Rodrigues Neves

Sou o silêncio imperceptível
Que ouve tua voz
Lê as alíneas do teu pensamento
Escuta os sussurros do teu peito
Que voa feito pássaro poeta
Ao som do infinito...

Sou um passageiro mudo
Que escuta em silêncio
Sem fazer alarde.
Ouço teu coração
Ainda cheio de amor
Derramando sentimentos...

Sou gaivota sobrevoando ninhos
Repouso meu átimo na poesia
Que da tua alma aflora
Fascina-me todo encantamento dos teus versos
Ouço epopéias livres
Feito andorinhas rodopiando
Entre anseios de liberdade
Ouço gritos de felicidade
Onde jaz a solidão
Que se despede da noite solitária...

Vim aqui ler tuas entrelinhas
Embevecida de sentimentos
Beber na tua fonte
Matar minha sede de aprendiz
Que pelo recanto pousa em silêncio!...


Em 17 de agosto de 2009

RETRATO DE PAI
por Regilene Rodrigues Neves

Retrato de pai
Sobre a escrivaninha
A saudade revolve lembranças
A infância refletindo ao seu redor...

Sabedoria e discernimento
Do tamanho do ensinamento
Cada palavra abraçando a vida
Para ele sorrindo sonhos prematuros...

Passos ainda aprendendo a andar
De braços dados
Seguram suas mãos firmes
Se apóiam na confiança de um olhar...

Enfrente o futuro
Que o presente precisa lhe ensinar...

Na face um sorriso solto
Brincando nos lábios
Ainda um bebê inseguro em suas mãos...
Assim fora crescendo contigo aprendendo
Cada passo da vida!...

Infância e juventude cercada de amor
Alicerce feito de honra e caráter
Bases feitas de humildade
Com significado de paternidade!

Seu retrato sobre a escrivaninha me aquece
Seu calor ainda me abraça
O hálito do seu beijo
Permanece no meu rosto...

A saudade chora para mim
Sem querer minhas lagrimas
Sentem sua falta no meio das lembranças...

Enquanto comemoram o seu dia lá fora
Dentro de mim você mora
Todos os dias eu peço sua benção
E contigo oro seguindo em frente
O caminho que você me ensinou
Para trás uma herança de ternura
Você me deixou para que todos os dias
Sinta comigo seu imenso amor!

MINHA HOMENAGEM A TODOS OS PAIS QUE ENSINAM OS PASSOS DO AMOR PARA OS SEUS FILHOS!


Em 10 de agosto de 2009

CICLOS DA VIDA
por Regilene Rodrigues Neves

A lua chega enfeitando o céu
À noite ainda no crepúsculo
Veste sonhos no horizonte
No parapeito da janela da vida
Deita uma fantasia no infinito...

Quimeras ao léu viajam
Estrelas despontam
Quase imperceptíveis
A luz ainda nas sombras do poente
Grita sua epopéia latente!

Do lado de cá
Permeia um misto de felicidade
Que rodopia recônditos de alegria
Dentro do peito!

O poeta inflamado
Na beleza de tanta poesia
Faz uma oração de agradecimento ao universo,

Para que Deus ouça sua prece
Derramando bênçãos do céu
E a noite durma em paz
Até que aurora molhada de orvalho
Sinta o cheiro da manhã
Completando ciclos da vida na terra!

Em 10 de agosto de 2009


BOM DIA!
por Regilene Rodrigues Neves

O sol beija a face da terra
Que acorda irradiada de sonhos
O céu iluminado
Rabisca raios no horizonte
A vida espreguiça
Nos braços da esperança...

De alegria rodopia felicidade
Sorrisos fascinados
Devoram os lábios
Num beijo de amor
Desejando bom dia!

Arvoredos jogam no chão
Suas flores esmaecidas
Ainda molhadas de orvalho...

Numa festa matinal
Pássaros cantam o hino da vida!

Algazarra de alegria
Começa o novo dia
Transeuntes no caminho dos sonhos
Fazem rastros nas ruas e avenidas do infinito
Laboram suas conquistas
Nas mãos do futuro...

O presente maravilhado
Descortina sua ode
Que grita epopéias da alma
Para que num olhar enxergue
Toda beleza Divina!

Desejo-te bom dia!!!

Em 06 de agosto de 2009

O GOSTO TRISTE DE UMA SAUDADE
por Regilene Rodrigues Neves

O sabor da lágrima nos meus lábios
Tem gosto triste
Choro meditando as lembranças
O livro do passado
Se abre num capítulo de saudade
Que escorre sua melancolia no travesseiro...

O amor deitado em meu peito
Acariciava meu coração
Desalinhava meus sonhos
Beijava minhas ilusões de esperança...

Soprava odes ao vento
E o tempo levava para o front meus desejos
Corria atrás de devaneios
Seguia passos na areia
Para estar em teus braços
Mesmo que nesse abraço
Não houvesse amanhã...

Hoje nossa história existiria
Contada sem segredo ao pé do ouvido
Que ouvia em silêncio sussurros de amor!

Lábios que essa lágrima sente
Sorriu para os teus
Beijou de amor tua boca
Que veio a sentir arrepios
Num frisson da espinha
Dilatada de orgasmos de prazer
Em noites de volúpias
Ávidas entre lençóis
Molhados pelo suor inflamado da pele
Que evaporava sugada por frêmitos de loucuras...

Então o amor dormiu em versos profundos
Sentindo sentimentalidades no coração
Ouvindo quimeras ao longe
Por trás da saudade...

A lágrima é absorvida
Ao sabor intrínseco
De uma poesia
Que chorou lembranças de amor!...

Em 26 de julho de 2009

RASCUNHOS DE UM POETA
por Regilene Rodrigues Neves

Uma lágrima visita meu olhar
Choro nesse encontro triste
Que escorre molhando minha face
Saudades se misturam
Por um caminho ausente...

Li e reli aquela última poesia
Que o passado levou
Um rascunho que amassei
E joguei dentro de mim
Num canto do meu peito
Vários pedaços de estrofes sem fim
Ali se juntaram...

Versos e versos a reverso
Do meu avesso revirado
Tentando achar palavras
Para minha despedida...

Escrevi meus últimos sentimentos
Restos das sobras de um poeta
Que tentou plagiar sua alma
Lá onde sua paz existiu
Em efêmera poesia...

Gritei meu silêncio
Em rimas sem rimas
Alcei poemas em mar de ilusões
Fingi minha sutil alegria
Num sorriso que jaz no canto do lábio
Dormindo em epopéias de sonhos...

No chão uma poça encharcada
De tudo o que chorei
Alguns rascunhos
No meu peito separei
Outros: rasguei sem remorso!

Sobraram algumas páginas escritas
Na gaveta amarelam as letras
Que quiseram copiar minha alma
Para que o tempo me lesse
Na saudade do passado...

Minhas lembranças ainda vivem
Saudades minhas irão existir
Sempre que um papel em branco
Traçar as linhas do horizonte
Uma ode nasce no infinito
Mesmo que hoje me despeça
Jogarei meus rascunhos dentro de mim...

Em 20 de julho de 2009

SEGUINDO EM FRENTE
por Regilene Rodrigues Neves

Segui o silêncio do destino
Que levanta a aurora
Embevecida de luz
Raios de sol amanhecem jogados
Sobre a terra cultivando esperança
Na face do solo
Onde um caminho
Sai andando seguindo o horizonte...

Deixo para trás roupas rasgadas pelo vento
Em face de um novo encantamento
Que me espera lá na curva
De uma estrada
Que me levará para a felicidade...

Aqueço-me no calor da liberdade
Correndo com a menina
Que existe em mim cheia de alegria
Solto meu sorriso pela manhã
Abraço o dia que orvalha as flores
Respiro o perfume colhido dos jardins
Suspiro meus desejos pelo tempo...

Procuro energias positivas
Soltas ao meu redor
Para desfazer as tempestades
Que eu possa encontrar
Se alguma me molhar de lágrimas
Serão de mudanças para uma nova estação
Que me ensinarão que chorar e sorrir
Fazem parte da vida!

Assim vou seguindo em frente
Plantando flores entre as pedras
Construindo meu destino
Com pedaços inteiros de amor
Onde o mal suas marcas me deixou...

Para trás deixo folhas
Cheias de sentimentos
Escritas no passado
Poesias de alegrias e tristezas
Seguem contando minha história
O destino tem sua trajetória
De algures e glórias!

Em 23 de junho de 2009

RASTRO DE UM SONHO
por Regilene Rodrigues Neves

Segui um rastro de sonho
Dormindo sobre um tapete
De folhas de outono
Algumas amareladas de lembranças
Outras ressequidas de desilusão

Fazem-me debater sentimentos
Ousados de um sonho
Ainda amadurando nos galhos da vida
Que frondosa e verdejante
Joga-me suas folhas de esperança...

Em sono profundo m’alma
Refugiava-se nessa quimera
Cheia de fantasias...
Corro atrás da alegria
Feito pássaro na gameleira
Assoviando ilusões de utopia...

Em devaneios
Sigo um caminho
Por uma estrada
Que passa dentro de um coração
O amor escorre vermelho de paixão...

Desejos sangram
Entranhas dilatadas
Expulsam emoções
Contidas num corpo
Sobre o tempo...

Somente o pensamento acordado
Refugiado no colo da memória...

De olhos fechados
Enxergo apenas um sonho de amor
Que teimara dormir comigo
Quando ainda me deitava...

Um vento andarilho
Cobre-me de folhas
Escondendo-me a face
Solitária da noite

Sem estrelas o céu
Perde-se na escuridão
Sem nenhuma compaixão
Por um sonho
Que ali no meio do nada
Vaga do meu corpo...

O amor procura
Um lugar onde possa acordar
Dentro de mim
Sem ter que viver de sonhos perdidos...

O dia amanheceu varreu as folhas
Daquele dia de outono...
Imperceptível uma nova estação se aproxima
Os restos do meu sonho
Ainda seguem seu rastro...

Pegadas por um caminho de amor me levam
Pedaços do meu sonho jogados numa estrada
Por ela eu sigo sem perder
Meu sonho de vista
Dentro de mim ele grita não desista
Quem sonha um dia conquista
Só assim esse amor vai me encontrar
E o meu sonho realidade se tornar!...

Em 22 de junho de 2009







SONHO DE AMOR
por Regilene Rodrigues Neves

Deito-me ao lado de um sonho
Seu nome é amor
Sua boca sussurra
Palavras que me aquecem
Seus lábios me beijam
Dissolvendo nuvens...

Além quimeras eu me sinto
Numa fantasia etérea de desejo
Enrosco-me no teu corpo
Jogado sobre o meu
Misturo-me no teu abraço
E nos teus braços
Ouço a noite lá fora...

As estrelas envoltas num manto
Me cobrem de felicidade
Um cheiro de saudade
Entra no quarto
O perfume da noite
Tem fragrância de lua...

Me aninho dentro de ti
Abandonada num átimo de ternura
Confesso meus segredos
Ouço seus mistérios
Na dimensão do infinito...

Um grito de euforia
Sai do meu peito
De um jeito louco
Quase afoito
Atravessa o silêncio
Corre pelo jardim
As rosas não falam
Simplesmente roubam
A essência de m’alma...

Meu sonho dorme lado a lado comigo
É um amor inteiro
Puro e verdadeiro
Que sorrateiro me toma
Veste meu coração de ilusão
Sonho um sonho acordado
Ouço nossos risos
De amor misturado

Absoluto
Desvirgina a madrugada
Em sua utopia
Vira uma poesia
Que corre solta lá fora
Aqui dentro um sonho me devora
Somente o travesseiro me consola...

Amanhece
É quase aurora
O sol entra na janela
Acordando um sonho
Que dormiu comigo
Numa linda fantasia de amor!

Em 18 de junho de 2009






SAUDADE
por Regilene Rodrigues Neves

Que saudade é essa
Que dói no lugar da presença
Que faz a ausência
Ser infinita lembrança
Num caminho onde a esperança
É feita dessa saudade
Que traz para perto
O que o ontem me levou...

Roubando-me a felicidade
Que era estarmos juntos
Partilhando alegrias e tristezas!

Ah! Saudade...
Tamanha é a falta
Que deixa meu coração impotente
Numa dor de amor
Que me faz sentir vazia
Tornando os meus dias
Em melancólica nostalgia...

Saudade incompleta
Numa parte que me falta
No pesar da minha alma
Que dilatada
Se abre em profunda falta de ti!...

Quisera tantas vezes em pensamento
Traze-lo nesta saudade
Para mais um minuto
Estar perto da tua presença,
Mas somente as lembranças
Sobraram entre nós
Deixando para trás esse rastro de dor!

Maior que a saudade é meu amor
Que não o deixa partir
Fazendo-te existir nos meus dias
Que seguem sentindo falta de ti!...

Em 18 de junho de 2009